Pelo código de práticas da IRATA, equipes de acesso por corda têm no mínimo duas pessoas, com um supervisor Nível 3 presente no local, e o trabalho solo não é permitido. Essas regras são a espinha dorsal de um esquema de certificação com três níveis progressivos, reconhecido mundialmente. Entender o que cada nível significa ajuda quem contrata a saber exatamente quem vai subir na sua planta, e com qual responsabilidade.
A IRATA (Industrial Rope Access Trade Association) é a associação internacional que estabelece padrões de segurança e competência para profissionais de acesso por corda em ambientes industriais. Fundada em 1987, é reconhecida globalmente como referência em treinamento e certificação nessa modalidade de trabalho em altura.
No Brasil, o trabalho em altura é regulado pela NR35, que estabelece requisitos mínimos de proteção para atividades executadas acima de dois metros com risco de queda. Como já mostramos neste blog, profissionais certificados IRATA atendem e superam os requisitos da NR35, o que faz da certificação um diferencial relevante em projetos industriais que envolvem tanques, tubulações elevadas e estruturas de difícil acesso.
O que nem todo contratante conhece é a estrutura interna dessa certificação: três níveis progressivos, cada um com competências, responsabilidades e requisitos próprios.
Como funciona a progressão
O esquema da IRATA é construído sobre experiência comprovada. Cada técnico mantém um logbook, o registro oficial de suas horas de trabalho em acesso por corda, assinado por um supervisor Nível 3. Para subir de nível, não basta fazer um curso: é preciso comprovar, no mínimo, 1.000 horas registradas e 12 meses de experiência no nível atual, além de ser aprovado em avaliação independente. E a certificação não é vitalícia: vale por 3 anos, com reavaliação obrigatória para a renovação.
NÍVEL 1
O técnico em formação
O Nível 1 é a porta de entrada do sistema. Esse técnico é capaz de executar uma gama definida de tarefas de acesso por corda, sempre sob a supervisão de um Nível 3. Para chegar até aqui, não é exigida experiência prévia em cordas: os requisitos são aptidão física e médica, idade mínima de 18 anos e aprovação no treinamento e na avaliação independente.
Na prática, o Nível 1 é um profissional treinado e avaliado pelos padrões internacionais, operando dentro de um sistema que garante que ele nunca trabalha sem supervisão qualificada.
NÍVEL 2
O técnico experiente
O Nível 2 é o técnico que já comprovou experiência: no mínimo 1.000 horas registradas e 12 meses como Nível 1. Com isso, suas competências se ampliam: ele é capaz de montar as cordas de trabalho (o chamado rigging), realizar resgates e executar uma variedade maior de tarefas, com conhecimento de legislação, requisitos de segurança e procedimentos de qualidade do acesso por corda.
Mesmo assim, uma regra permanece: o Nível 2 também trabalha sob a supervisão de um Nível 3. A autonomia cresce com o nível, mas a supervisão qualificada nunca sai de cena.
NÍVEL 3
O supervisor de segurança
O Nível 3 é o topo do sistema, e o papel muda de natureza: além de dominar as técnicas mais avançadas, ele é o responsável pela segurança da operação. É o Nível 3 quem supervisiona o local de trabalho, conduz a identificação de perigos e a análise de riscos, e organiza e executa os planos de resgate adequados a cada frente de trabalho.
Para chegar lá, o caminho se repete: mínimo de 1.000 horas e 12 meses de experiência como Nível 2, mais a aprovação na avaliação independente do nível mais exigente do esquema.
As regras que valem para toda equipe
- Duas exigências do código de práticas da IRATA resumem a filosofia do sistema: equipes de acesso por corda devem ter no mínimo duas pessoas, sendo uma delas obrigatoriamente um supervisor de segurança Nível 3 presente no local, e o trabalho solo é proibido. Não existe operação IRATA sem supervisão qualificada em campo.
Além disso, técnicos que ficam mais de seis meses sem atuar em acesso por corda precisam passar por treinamento de reciclagem antes de voltar ao trabalho, uma garantia de que a habilidade em campo está sempre atualizada.
O que isso significa para quem contrata
Para o contratante, os níveis IRATA funcionam como um mapa de responsabilidades da equipe que vai atuar na sua planta. E permitem uma pergunta simples e reveladora no processo de contratação: quem é o Nível 3 da equipe, e ele estará presente no local durante a execução? Em uma operação conforme os padrões IRATA, essa resposta existe antes de a primeira corda ser ancorada.
IRATA na Tayga
A Tayga utiliza profissionais certificados em acesso por corda conforme os padrões IRATA em seus projetos de aquecimento e isolamento industrial, atendendo e superando os requisitos da NR35. E vai além da certificação: mantém um centro próprio de treinamento, onde a equipe pratica cenários de acesso por corda antes de ir para o campo. Segurança em altura, aqui, não é um item do contrato: é parte do método.
Em resumo: os três níveis
O mapa da certificação IRATA
- Conforme o esquema de certificação da IRATA International.
- 1. Nível 1: técnico de entrada, executa tarefas de acesso por corda sob supervisão de um Nível 3;
- 2. Nível 2: técnico experiente (1.000 horas e 12 meses como Nível 1), monta cordas de trabalho e realiza resgates, ainda sob supervisão;
- 3. Nível 3: supervisor de segurança, responsável pelo local, pela análise de riscos e pelos planos de resgate;
- 4. Toda equipe: mínimo de duas pessoas, com um Nível 3 presente; trabalho solo proibido;
- 5. Certificação válida por 3 anos, com reavaliação; reciclagem após 6 meses de inatividade.
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